quarta-feira, 5 de maio de 2010
Com o tempo...
Nos importamos sem se nos importarmos. Sabemos o que se deve saber, o resto fica pra um momento oportuno. Tudo flui e gosto do rumo que as coisas estão tomando. Me faz tão bem.
Multipolar
A noite passada feliz, radiante. Hoje de manhã triste, sufoca. Mais tarde talvez melhor e logo depois não mais. Quero desaparecer e logo em seguida penso ser besteira, mas por que penso isso se quero mesmo?
No inicio depressiva e no final motivada e vice-versa. Mil fases em um dia, humor em mutação constante. Estou assim, não sou assim. Nunca me entendi muito bem, hoje entendo menos ainda. Já fui uma pessoa melhor, a vida me estragou, marcas reversíveis ou não, tanto faz, nada faz sentido agora, mais tarde talvez faça. Só uma coisa não muda, uma saudade, saudade que tem me acompanhando. Saudade de verdade e de quem sabe que sinto.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Ciúmes
Eu sou muito ciumenta, pronto falei. Fechei os olhos pra muitas coisas, mas a que eu definitivamente não consigo é o ciúme. Ciúmes dos amigos, da mãe, do pai, da vó, da irmã, do cachorro do vizinho... Eu tenho ciúme de todo mundo que eu gosto. Parece doentio, mas não é. Já foi, não é mais.
Quando eu era criança minha mãe sabendo desse meu ciúmes desmedido pegava minha irmã e fazia carinho dizendo de forma bem sarcástica e piscando pra ela:"ô minha filhinha preferida, vem aqui no colinho da mamãe...", e o que eu fazia? Mesmo sabendo que depois de alguns minutos ela desmentiria eu me escondia atrás do sofá e me mordia. É, eu me mordia muito, era isso que eu fazia com os outros quando me aborreciam (ao contrário de hoje em dia que só mordo quem eu amo), me mordia porque não podia morder minha mãe (e pra piorar minha irmã inventou uma maldita história que eu era adotada e minha mãe confirmou "de brincadeirinha" e eu achei que era adotada por anos da minha infância). Na verdade, acho que só mordia a minha irmã, talvez algum primo/a, nos outros casos agia como se fosse minha mãe que estivesse me aborrecendo. Eu não gostava nem que meus pais demonstrassem carinho um pelo outro na minha frente. Sim, eu era uma criança esquisita e acho que essa esquisitisse ainda não passou.
Eu sinto bem menos ciúme do que algum tempo atrás, por exemplo dos meus amigos quase não tenho mais, são raros os casos, mas ajo como se nada acontecesse. Da minha irmã nem se fala, não tenho nada. Do meu pai um pouco, da minha mãe só com a minha prima e da minha vó com as namoradas dos meus primos. O que sobra? As possibilidades das possibilidades, isso sim me deixa ligeiramente puta, eu sinto mas fico quieta, aprendi me controlar, finalmente. Mas eu ODEIO sentir ciúmes. BOSTA!
Talvez eu veja coisa onde não tem, torne os fatos maiores do que são, mas nunca, NUNCA vou admitir isso e que ninguém venha me mostrar este texto quando achar que eu estou tendo umas dessas crises, pois EU NÃO ESTOU AFIRMANDO, eu disse que talvez (talvez tal.vez adv (tal+vez) 1 Exprime possibilidade ou dúvida. 2 Acaso, porventura, quiçá.). E tenho dito!
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Prisão
Presa onde há saídas, talvez muitas delas, mas devem estar em passagens secretas ou inalcançáveis, porque mesmo fazendo esforço sobrenatural pra sair dessa prisão não consigo, então o cansaço chega e prefiro permanecer algum tempo por falta de forças pra continuar lutando pra tão sonhada libertação.
Me revolto, decido mudar, eu tento sair, fico inquieta ao ponto de abrir feridas no corpo, como se fossem túneis por onde pudesse fugir, talvez a prisão seja eu mesma, quem sabe?
Agora estou tentando persuadir o cansaço pra seguir em frente e desvendar o enigmas que existem aqui dentro, talvez seja esse o preço pra sair, mas acho que isso tenho que descobrir sozinha...ou não?!
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Música da mão esquerda/ Left hand song
muito tempo perdido tentando engatinhar para dentro de um buraco
tentando engatinhar para fora daquele buraco
eu segui um caminho de pedaço de pão, viajando
do bico de um pardalzinho
para o bico de outro pardalzinho
ele o pegou, voou com ele e o deixou cair, então
esse outro o pegou e voou com ele e novamente
o quebrou em pedacinhos
comeram e esquecerem que ele existiu
eles ainda estavam com fome, eu aposto
eles ainda estavam com fome no fim
eu estava dentro do meu escritório na hora
e eu fiquei com muito medo
pensei ter visto duas cobras rastejando
então eu me lembrei:
cobras não vivem em áreas com carpete
muito tempo gasto
e eu estou estafada
tem uma bola de carne velha embrulhada em papel alumínio
bem na prateleira de baixo da nossa geladeira
uma lição sobre o quão passageira é a preservação
REGINA SPEKTOR
Fechando os olhos
Pra que buscar o que não se quer ver? Quem procura acha e de tempos pra cá tenho encontrado muitas coisas das quais não queria saber, NUNCA!
Se algo for encontrado por acaso o melhor é disfarçar. Para evitar angustias é melhor fechar os olhos.
Estou evitando qualquer tipo de atrito em todas minhas relações pessoais, sem perguntas, sem cobranças, cada um com sua conciência. Pra que mais problema? Aliás, pra que criá-los? Sim, criá-los! Muitos deles são desnecessários, puro fruto da imaginação dos inseguros. Picuinhas ridículas e infantis, pra quê? Pra ocupar a cabeça com mais coisas inúteis? Só pra isso que servem! É melhor ocupar o tempo com coisas mais úteis, viver o que se quer viver, pedir conselhos pra poucos, pensar mil vezes antes de seguir algum e só desabafar com o(s) melhor(es) amigo(s).
Estou com preguiça das pessoas, evitando amigos e família. Só de pensar nas intriguinhas bobas que possam surgir, nas perguntas e satisfações sobre minha vida pessoal, nossa, me dá muita preguiça de dialogar, expor meu ponto de vista que é sempre o mesmo. Cansada de repetir as mesmas coisas sobre vários assuntos. Então foda-se, cada um tem o que merece, inclusive eu!
quinta-feira, 29 de abril de 2010
♥
Meu coração é de quem merece e não de quem permaneceu mais tempo dentro dele. Não sei se isso é bom, mas eu me desapego com a mesma facilidade com que me apego a alguém, basta não dar valor. Não que deixe de amar, longe disso, acredito que quem disse "eu te amo" alguma vez pra alguém e depois disse que não ama mais não amou de verdade, pra mim o amor é eterno só muda de forma.
Só entra no meu coração quem merece, não é grande coisa, nenhum trono ou coisa do tipo, é mais como um banquinho com a perna bamba, as vezes confortável, estável...outras inquietante e totalmente irritante. Me esforço para que os merecedores do meu afeto se sintam bem estando nele. E as esses que mereceram eu dou valor!
Headphones
Acordei, me arrumei, tirei mais um cochilo, levantei, me maquiei e decidi sair de casa ouvindo música, em vez de começar a ouvir na lotação a caminho do metrô. Mas, cadê meus fones? CADÊ MEUS FONES? Na mochila? Nada...No quarto? Nada. Na blusa de ontem? Nada...Comecei a ficar com raiva, muita raiva, quase ódio! Pronto, a família acordou. Joguei tudo o que tinha na minha mochila no sofá e descobri porque ela estava tão pesada, quanta inutilidade, mas nada do fone, só sabia falar: "Pegar metrô sem música é uma bosta!". Minha irmã comovida me emprestou seu mp3, já que escuto música da merda do meu celular desde que meu mp4 queimou e o fone dela não serveria. Achei o empréstimo quase que milagroso e decidi sair (atrasada) antes que ela desistisse deste ato piedoso. Quando chego na esquina mantenho meu velho hábito de verificar se estou com meus pertences essênciais pro dia: celular, bilhete único e carteira (por que na esquina e não em casa? só lembro na esquina. SEMPRE) e os fones estavam lá, junto com meu bilhete único no bolsinho da frente da mochila, aquele bendito bolsinho, o mesmo onde ontem estava meu pendrive e eu mesmo verificando várias vezes não o via. Aliviada peguei meu fone, pensei em voltar pra casa pra devolver o mp3 da minha irmã, mas já estava bem atrasada. Conectei os fones ao celular e comecei a ouvir e minha diva, Regina Spektor, disse: "You spend half your life trying to fall behind. You're using your headphones to drow out your mind" (Você passa metade da vida tentando cair na real. Você usa seus fones de ouvido pra não ouvir sua mente). Então eu entendi o meu desespero, sem música acabo pensando no que não quero e o metrô é a hora do dia que sou obrigada a isso, não há o que fazer nem pra onde ir, fico de 30 minutos a 1 hora destinada a refletir sobre diversas coisas, principalmente as que não quero/as que mais incomodam. Música é meu refúgio!
domingo, 25 de abril de 2010
Amolecendo
Ela prometeu pra si mesma que seria durona com o sexo oposto, quase que insensível (dentro dos limites do seu bom coração). Não iria demonstrar interesse tão facilmente, a não ser que fosse realmente cativada. Prometeu também que sua auto-estima se elevaria, seu orgulho seria preservado. A fila que disseram que seria formada cresceria e se tornaria cada vez mais seletiva, afinal com uma auto-estima assim não se pode dar confiança a qualquer um (e parece que isso chama mais atenção). Nunca se sentiu tão desejada em toda vida, era difícil de acreditar, afinal sempre se sentiu o patinho feio. Aproveitando a situação, era hora da vingança, hora de descontar nos pobres homens toda a rejeição que sentiu durante anos de sua vida. Mas, não se pode fazer planos e nem cantar vitória antes da hora. Quando menos esperava viu-se cativada:
O fitou e perdeu a noção do espaço por alguns segundos, era como se nada existisse, só conseguia pensar na beleza daquele sorriso e como queria poder admirá-lo por mais tempo.
Bem longe de ser amor, mas mergulhado em algo que está descobrindo o que é e que a faz ter vontade de beija-lo e alegra-lo só pra ver aquele sorriso lindo muitas e muitas vezes. Isto a assusta, mas mesmo assim dá valor.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Silêncio quebrado
Enfim alguma palavra! Mais uma vez passei por cima do orgulho, prometi ser a última (três vezes já é demais). Não quero viver com mágoas o resto da vida, isso não é bom.
Perguntei:"quer tentar ser meu amigo?" e ele respondeu que sim.
Parece que tirei um peso de mim, não sei de onde, coração, cabeça, costas...só sei que surgiu um alivio em algum lugar aqui dentro.
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