sexta-feira, 17 de julho de 2015

Li umas conversas de um tempo atrás e são tantas coisas. Durante a leitura ri das brincadeiras idiotas, chorei de emoção, de tristeza e tinha também uma palavra que sempre usávamos e existia só pra nós. Havia me esquecido. Tinha uma maneira tão peculiar de vir me chamar pra conversar, só pra falar de coisas bobas do dia ou pra saber se estava bem. Até depois de terminar comigo, éramos tão amigos...ou eu achava que éramos. Hoje mal nos falamos, agora sei que foi porque fiz questão de esquecer. Em uma das conversas me contou que estava se sentindo bobo porque leu coisas antigas e percebeu só naquela hora que uma amiga tinha outros interesses. E fez isso de novo, dessa vez comigo, mas por mim tudo bem. Passou. Acho que passou. Já faz um ano desde que eu desisti. Foi naquela semana que ele fez 7x1 em mim. Só não posso me lembrar de como era ou vê-lo mais de uma vez em uma semana e vai ficar tudo bem.

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Ps: Só tô escrevendo esse texto bobo pra me lembrar de não ler mais históricos de pessoas que gosto muito, mas não me lembro porque as coisas mudaram.

domingo, 21 de junho de 2015

Nós nunca daríamos certo, bonito, mas eu tenho pensado em você todos os dias. Lembro das raras e deliciosas vezes que se soltou comigo, das nossas conversas intermináveis e do silêncio reconfortante que vinha, as vezes, acompanhado de um longo e aconchegante abraço. Te quero porque não posso ter. Eu me saboto, venho me sabotando. Se pode dar certo eu não quero, não serve. Desisto.
Você nunca ficaria e eu sempre soube, desde aquele dia que me beijou sem que eu esperasse. Me agarrei com todas as forças pra anular qualquer possibilidade de alguém que tivesse alguma chance e tirasse esse lugar intocável que eu te dei e que fizesse o que fizeram comigo antes de você chegar. Chamei todos como te chamava, bonito, não por mal, eu sou assim, cheia de repetições impulsivas e pouco reflexiva pra sentimentalismos alheios. Fiz com eles tudo que gostaria de ter feito com você, não por mal, mas diferente de você respeito minhas vontades e não tenho medo dos erros.
Nesses dias que você está distante há alguns meses, e na iminência da sua partida, eu venho pensando que todas as chances acabaram de vez. Não a chance de sermos algo, está claro que ela nunca existiu, mas a chance de saciar as nossas vontades, ou a minha vontade egoísta de te sentir sem medos, sem pressão e sem nossos fantasmas. E de novo, eu não quero que você seja meu, eu só quero você comigo como nunca quis alguém. Só queria não ficar mais chateada por você ou por mim, ou talvez por um nós que não existe e nunca existirá.


quinta-feira, 18 de junho de 2015

Sonho pra por na realidade

Dois anos depois e eu sonhei com o nó. Sonhei como se eu ainda estivesse doente dele. De nós. Implorava a atenção de alguém que não tinha forças nem pra amar a si mesmo. Apático na cama o nó mal me respondia. Eu o abraçava pra ele se sentir melhor, como sempre fiz (primeiro ele e depois eu). Dormia com ele e acordava na minha cama, vezes seguidas, um sonho dentro do outro.

Só agora me dei conta do porquê estou pesarosa nos últimos dias. O choro que vem do nada, o aperto no peito me sufocando e que faz questionar: o que deixei passar pra me sentir assim?

Há dois anos senti esses sintomas multiplicados muitas vezes, me tiraram a fome, a saúde e a vontade da vida.

O que eu deixei passar? Talvez o luto pelo fim do meu ciclo,  nesses dois anos muita coisa ruim em mim morreu e muitas boas nasceram. E tudo isso foi doído. Somatizou e doeu nos meus ouvidos quando me recusei a ouvir. Na minha garganta quando eu não quis ou não consegui falar. No peito quando sufoquei com tudo guardado. No meu estômago quando não consegui digerir o que aconteceu. Na minha pele quando só o que eu queria era não ser eu.

Parece clichê, mas com a dor aprendi a usar a energia do universo a meu favor.

Ainda não sei domar, mas fujo da posse e de tudo que me prende e entristece. Aprendi que nasci pra ser livre, as vezes sozinha, pra ver tudo que sempre tive medo de ver de perto: o meu eu de verdade.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Última carta - dessa vez de verdade

Oi. Você deve achar estranho esse texto, que ainda não sei se será grande (acho que vai), mas venho refletido sobre muitas coisas nesses vários meses de terapia (rs) e me devo esse texto pra você.
Pode ler sem medo, vim pontuar meus erros e não o contrário como sempre fiz. Com o tempo descobri que muitas das coisas que você dizia sobre mim eram verdade.
Vamos do começo: quando terminamos eu já estava muito doente. A depressão já tinha afastado tudo que eu tinha de bom. Por alguma razão o seu jeito de ser trouxe a tona muitas coisas sobre mim que eu não gostaria de saber, mas que hoje vejo que foram necessárias para que isso não se repita nos meus relacionamentos.
Logo que terminamos fiquei com pneumonia e dai em menos de um mês foi uma coisa atrás da outra até uma suspeita de câncer. Nunca tive tanta dor e tomei tantos remédios. Te culpei por tudo o que aconteceu,  por cada uma das minhas dores físicas e psicológicas. Pra mim você estava virando as costas pra alguém que sempre te ajudou e desistiu de terminar todas as vezes que você chorou. Não conseguia ouvir seu nome sem passar mal. Foi um período terrível. Foi tudo culpa sua? Não,  não foi tudo culpa sua. Hoje já dá pra ver.
E por tudo isso que passei e pelo meu processo de auto conhecimento venho dizer que você estava certo quando dizia:

- Que eu só fazia as coisas por você pra ter o que jogar na sua cara quando você não usasse a sua linda bola de cristal para adivinhar algo que poderia fazer por mim. É muito feio, só hoje admito.
- Que eu era sua dona e não sua namorada. Descobri esse traço na minha personalidade: a possessividade. A má notícia é que só com você foi tão drástico.
- Que eu não te amava. Foi triste pra mim perceber, era só posse. Sofri tanto por algo que sempre critiquei em você: o egoísmo.
- Que não importava o que você fizesse nunca seria o suficiente. Pura verdade, queria você trancado,  isolado do convívio social vivendo 24 hrs só pra mim.
- Que nosso relacionamento estava ficando doentio.

Com muita ajuda dos meus amigos, família e da minha psicologa estou bem e comecei a ter a necessidade de te dizer que eu não te odeio mais e que reconheço que tive o mesmo peso em tudo que aconteceu. Me dei conta do quanto fui abusiva. Eu não sabia o quanto estava errada e não tinha noção de que podia fazer mal pra alguém e tanto mal pra mim mesma. Não é saudável ditar regras e podar os outros.
Espero que tudo que fiz não tenha causado danos emocionais pra você e que você tenha começado a se cuidar e tratar de tudo que me contava e que veio antes de mim.
Depois de deixar o orgulho de lado pra te dizer tudo isso só me resta pedir desculpa.
Boa sorte. Seja feliz.

Ps: devo ter feito algo que gerou desconforto porque escrevi e fui mandar e tudo indica que fui bloqueada no facebook e whatsapp. Não sei o que foi, mas segue por aqui. Espero que leia.

domingo, 8 de março de 2015

A sensação de abandono nunca me deixou. É um falso paradoxo, uma agonia, um ânsia que eu sempre trouxe e nunca entendi. Sinto o abandono a cada dia de silêncio. A cada transa com estranhos e cada falta delas com pessoas que estão comigo. O sinto na falta de vontade de conversar e me expor com as pessoas que amo. A cada sessão terapia que falto pra não chorar. A cada choro sentido e incontrolável por gotas d'água. A cada explosão com razão ou sem. Sinto o abandono ao me cansar de me relacionar com as pessoas, por não saber lidar com idéias diferentes. Cansei de bater de frente, de discutir e escutar tanta bosta de gente que vive na limitação da religião, do egoísmo e preconceito. Tenho preferido me isolar a viver na companhia de gente que não me acrescenta, só suga. Sinto o abandono nas expectativas quebradas. A cada convite recusado e a cada convite não feito. A cada abraço não dado e a cada lembrança esquecida. O sinto e sinto muito por me colocar nesse lugar onde não me alcanço e não deixo me alcançarem. Sinto por não conseguir sair e ainda mais, por não querer sair.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Não era a última carta. Eu menti

Tenho refletido desde o início do ano. Consigo ver e aceitar que não fui vítima o tempo todo. Isso não existe.
Por vezes não fui uma boa pessoa durante aquele ano. Minhas atitudes foram duras e minhas palavras foram mais ainda. Depois que o vi passei a temer que as coisas que fiz tenham deixado marcas e lembranças dolorosas, como as que fez em mim. Senti vontade de pedir desculpas. Engraçado,  porque há quase um ano, no fundo, eu esperava que você o fizesse. Hoje não faço questão. Já não me dói mais. É um alívio poder dizer isso.
Hoje vejo que você tinha razão em muitas coisas que não aceitei na época. Isso me fez muito mal, também.
Você não é uma pessoa má. Eu não sou uma pessoa má, mas você despertou o melhor e o pior em mim.  O melhor eu já conhecia, o pior não.  O pior me entoxicou.  Nos entoxicou. Mas, achei que só eu precisasse de reabilitação. Nunca pensei se você tinha essa necessidade,  porque você optou por ter alguém e geralmente assim fica mais leve.  Eu fiz isso sozinha e foi muito mais difícil, mas consegui e vai ser pra sempre.
Eu não sei se tudo que fiz ainda te faz mal e nunca vou saber. Espero que não faça. Acredito que não seremos amigos como você queria no fim. Prometi que seríamos com o tempo, eu estava errada. Você disse que não era uma despedida pra sempre,  você também estava errado.
Se, um dia, eu tiver a oportunidade de pedir desculpa o farei. Se não,  acho que consigo viver com isso. Espero que também consiga.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Resoluções

O ano acabando e o universo conspirando para que eu acabasse com todas as pendências que, até então,  não tinha tido coragem de resolver. Eu cresci, deixei muita coisa pra trás. Me permiti sentir orgulho de mim. Apesar de ter superado muitas coisas, ainda me faltavam o nó e o laço,  minhas partes mais doloridas.

Conversei com o nó sem mágoa,  sem dor. Nenhuma conversa resolutiva, tudo que queria dizer já havia dito aqui "nas cartas não enviadas" isso me bastou e tenho quase certeza de que ele lê tudo como forma de martírio. Ele não precisa se sentir pior e eu já não me importo mais. Nos libertamos. Já estou com minhas coisas e ele com as dele. Confesso que quando o vi, apesar de mais velho e mais gordo,  reconheci o garoto por quem fui encantada. Aquele sorriso que me tirava o fôlego ainda existe, mas passou.  Não nos falamos mais e fiquei bem comigo. Sem sufoco, sem posse e sem medo de querer voltar.

Meu laço se desfez,  me deixou triste por uns dias. Por mais que laços não apertem, esse me prendia sem saber e, apesar de já ter perdido as esperanças, eu precisava de uma resposta na cara, dessas que tiram o chão sob os pés. E ele me deu. Sem noção,  sem tato, me enfiou goela abaixo tudo que eu já sabia antes de sair da boca dele. Eu falei tudo que guardei e me entoxicou por meses, mas não obtive resposta. Ele me disse que precisamos conversar,  na verdade o álcool disse, ele não tem coragem e eu não espero mais.

Coloquei pra fora outras coisas que faziam mal em relação a outras pessoas.  Entrei no mar depois de 14 anos. Me permiti fazer coisas que há tempos não fazia e me sinto como há anos não sentia. Me parece uma boa resolução de fim de ano e um bom início para um novo.

sábado, 8 de novembro de 2014

Gratidão

Nó,

Hoje descobri que você é a pessoa que sempre me descrevia quando fazia merda e pedia colo chorando. Somada a parte que eu captei com a nossa convivência, como o seu enorme egoísmo e a falta de princípios básicos que eu tentei te passar dia a dia, mas não deu... Enfim, me faço alguns questionamentos. Como não me permiti ver tudo isso e jogar a toalha antes? Que sentimentos são esses que escondem atos tão falhos e nos fazem esquecer de nossas convicções mesmo que por pouco tempo? 

As suas convicções ou a falta delas, seus poucos "amigos" e o meio em que vive são um espelho de tudo que eu desprezo. Isso explica muita coisa. Explica a minha indignação ao ouvir a verborragia preconceituosa da sua família. Explica a minha falta de paciência para festas e reuniões com seus amigos fúteis e vazios de empatia como você. Explica nossa visão política contrária. Explica tudo que me tornou a pessoa depressiva e insegura que estava com você, mas não era a que conheceu. 

Espero que tenha coragem pra mudar como eu tive. Pra começar a gostar de você mesmo, primeiro você tem que assumir quem é, inclusive seus erros pra tentar corrigi-los, já que te incomodam toda a vida.Quem sabe um dia você assuma também que não gosta de ser sozinho e atraia mais pessoas como meus amigos, que você gostava tanto e menos como os seus, que você tanto criticava. 

O universo nos afastou antes que enlouquecessemos. Hoje sou muito grata por isso.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

[pe]Última carta

Nó,

Eu não te odeio mais, mas sonhei que a gente tinha voltado e passei mal como quando terminamos. Fui parar no hospital. Desde então uma série de coisas estão acontecendo pra que eu lembre de você todos os dias. Justo você que me fez tão mal e eu custei a esquecer.
Nos últimos dias você esteve em todas as refeições. Senti falta da sua comida, da comida da sua mãe, do seu pai e até a da sua vó. Estava carente e lembrei de todas as vezes que não quis dormir no seu peito porque havia dias que eu não suportava você por perto. Confesso, me senti um pouco boba. Lembrei dos mistos quentes com mostarda nas manhãs seguintes a dias ruins causados por nossas brigas e de como isso melhorava o meu dia, talvez você nem saiba disso. Lembrei das brincadeiras idiotas, das fotografias, das guerras de travesseiro e de como eu adorava o som da sua risada. Das suas pequenas declarações piegas em redes sociais ou por sms. Senti falta dos carinhos de barba, dos carinhos nas costas (que descobri posteriormente que não é exclusividade sua), da podolatria (sim, é exclusividade sua até agora), das suas manhas e de tudo que eu conseguia suportar em você. Estranhamente não lembrei das coisas ruins . Por esses dias até pareceu que tudo foi perfeito. Reli meus textos pra lembrar do porquê não servimos um pro outro. Lembrei bem.
Fui tomar um banho e só achei uma toalha que sua mãe me deu, fui colocar uma camiseta pra dormir e só achei as suas, uma meia e só aquelas de lã que sua vó trouxe de uma excursão...todos os presentes e lembranças se atirando no meu caminho. Deu até saudade de jogar video game, ver aquele seu brinquedo dos slides que eu nunca tive paciência e tomar a melhor caipirinha de maracujá: a sua. Me disseram que é um tal de ciclo de escorpião que tá rolando, que atrai pensamentos sobre o que já passou, sei lá, não entendo muito de astrologia...Aí você é de escorpião, eu também. Ambos estamos em pleno inferno astral. Deve ser isso, tudo intensificado...espero que seja. Tomara.
Tenho que pegar logo minhas coisas e devolver as suas pra nos libertarmos e livres seguirmos em frente sem nem olhar pra trás. Não fazemos bem um pro outro. Quero o adeus que até hoje não tivemos.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Li nossas mensagens antigas, me bateu muita saudade. Saudade de como tudo era novo pra você, do seu cuidado e de como tudo isso me fazia bem na pior época da minha vida.  Quando eu me sentia profundamente triste, tinha você me descobrindo e sempre disposto a me ajudar. Saudade também do toque, pele, beijos, abraços, seu ronronar ao pé do ouvindo falando do meu cheiro...toda intensidade que durou tão pouco tempo.

Com você não tinha posse, não tinha doença, acho que é isso que é gostar de alguém de verdade. E eu gosto muito de você. Todo mundo sabe disso.

Ontem fez um ano desde o nosso primeiro beijo, faz uma semana que não te vejo e não tem mais previsão de ambos acontecerem. Eu fico aqui pensando que eu esqueceria de todas as chateações se você viesse esclarecer toda essa confusão que foi feita aqui. Acho que nem você mesmo sabe.

Eu não quero que você seja meu, eu só quero você comigo como nunca quis alguém. Quero nosso laço bonito de novo.