Odeio quando acordo com cheiro de passado. Entenda, não é um cheiro bom de lembrança, que te remete a um passado agradável. É um cheiro de mofo que te leva a velhos dias tristes que apertam no peito e dão nó na garganta.
terça-feira, 7 de setembro de 2021
terça-feira, 30 de março de 2021
coração sagrado 🖤
Esse coração sagrado na parede, de novo, não é meu. Você quem fez, eu comprei porque parecia comigo. Com você. Um coração preto, mais simbolico impossível. É nosso. Ele fica acima de mim quando eu deito na cama e, as vezes, eu penso se é ele que pesa tanto. Daqui uns meses faz três anos e ainda dói. É muita mágoa, saudade e tristeza que eu não entendo, não esqueço... Eu já falei, já coloquei pra fora e não passa. Acho que nunca vai passar porque não tem volta e eu queria que tivesse. É essa vontade que me mata, que eu não entendo, não esqueço...
Stonehenge - Fresno
quinta-feira, 18 de março de 2021
Parece que meus sentimentos do início do ano estavam certos. Voltamos a um ano atrás, mas com muito mais doentes e mortos e, muitos menos leitos. Estou sem trabalho de novo, mas apesar de triste estou aliviada, em casa sinto menos medo. Mas o medo de quebrar mais um osso é real. Ando com cuidado, sentindo o chão firme sob os pés e mentalizando: eu não vou cair eu não vou cair eu não vou cair...Pelo menos meu velho vai ser vacinado ainda esse mês.
Sinto dor constante no peito, falta de ar e outros sintomas relacionados. Já fiz dois testes, não tenho e nunca tive contato com o vírus, mas ele me sufoca o tempo todo.
domingo, 3 de janeiro de 2021
pandeminha
Acordei no primeiro dia do ano tomada por uma dor generalizada, falta de esperança e medo do que pode acontecer. Desde 2017, ano após ano tive grandes crises e a minha vida foi piorando aos poucos. Coração partido em pedacinhos que parecem me faltar.
Na verdade as coisas vem mal desde muito antes, conforme fui saindo da minha bolha cristã e fui tomando consciência do mundo. Observei minhas metas dos últimos 5 anos e muitas se repetem porque nunca as alcanço. Por mais que eu me esforce pareço não merecer. Não é nada demais, é o básico pra uma vida mais ou menos, mas talvez eu mereça mesmo que tudo sempre acabe mal, que eu sinta que é tudo uma bosta. Tem gente que nasce pra sofrer ou pra fazer drama. Se ao eu pudesse colocar a culpa no meu mapa astral; a tríade de água. Mas eu ando tão cética que não ia colar.
Eu não aguento mais ouvir falar de energia. Quer dizer que a vida da pessoa é uma bosta por culpa dela? Enfia "o segredo" no cu. Deixa eu sentir minha "bad vibe" e lavar ela de lágrimas pra ela passar, depois tomar o meu remédio 20 dias corretamente e voltar pra terapia. Milagres não existem. Eu quero me tratar com alucinógenos e mandar drogado goodvibes tomar no cu.
Não vejo a hora dessa pandemia acabar pra eu quebrar o código de paciente e psicológo e dar um abraço nele e dizer que tá muito difícil sem terapia. Eu quero respirar sem ajuda de antidepressivo e sem máscara.
ao som de não - Tim Bernardes
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
2020 pra fuder
Esse ano foi muito difícil mas, graças ao deus que não sei se acredito, não perdi ninguém que eu amo. Quebrei mais um osso. Tive que enfrentar tantos medos que meu peito ainda dói sem tempo pra respirar. Hoje é o último dia desse ano amargo e estou sentindo um misto de alívio e pavor. Alivio por ter acabado e pavor do que nos aguarda. Não sei se posso suportar um terceiro ano horrível.
ao som de Abandon window - Jon Hopkins.
quinta-feira, 10 de setembro de 2020
rancor.
Eu tenho tanta autoconfiança no poder de cura do meu acolhimento e amor que, as vezes, eu tenho plena certeza que posso curar com um pouco de cuidado, abraços quentes, ouvido atento e o cuidado que posso dar. Eu mesma não me acolho, cuido e dedico assim por mim. Ninguém tem essa capacidade de curar feridas alheias magicamente, já do oposto todos têm e já experimentei o gosto salgado do choro engolido tantas vezes que não seria possível contar. É mais difícil quando tenho que perdoar o mesmo erro várias vezes, eu não consigo e muitas vezes eu não quero.
sábado, 16 de maio de 2020
Carta não enviada
Faz muito tempo que eu acho que tenho que falar com você, mas é difícil porque a gente nunca sabe como está o outro lado. A tentativa de alívio pode trazer mais mal entendidos se não for interpretada com a mesma intenção que é feita. E nossa comunicação já foi cheia de más interpretações. Estou escrevendo só pra organizar o que quero dizer, mas talvez nunca te envie isso.
Não sei como foi pra você a nossa última conversa há quase 2 anos atrás, mas pra mim foi muito ruim e sempre que lembrei de você ou dessa conversa me senti muito mal.
Primeiro porque eu fui babaca, eu não gostei de você me apontar algo que não gostou da forma que fez, te achei presunçoso e em vez de eu só falar que não era você e que tinha sido uma brincadeira boba e infeliz, eu resolvi desmerecer o que eu sentia por você, pra você achar que eu não ligava pra você. E eu ligava, MUITO. Eu gostava de verdade de você, e do que a gente tinha antes das nossas crises individuais. Eu tava apaixonada real e durante muito tempo depois acreditei que ainda estava. Talvez eu tenha sido babaca também por gostar muito de como era antes disso, aquela coisa de termos só a parte boa, enfim, e acabou porque tinha que acabar, normal. Me frustou sua reação, que, de verdade, não esperava, mas enfim, tava se defendendo como o humano que é. Os dois foram grosseiros. Foi tudo desnecessário naquela conversa. Me magoou muito e até hoje me dói. Nunca consegui apagar, mas também nunca precisei reler. Estou escrevendo na tentativa de deixar isso pra trás.
Pra você pode não ter sido nada, pode nem lembrar mais da conversa ou de mim, mas de alguma forma eu tenho a esperança de que essa mágoa que eu negligenciei durante todo esse tempo e somou as minhas outras experiências ruins passe com essa exposição e reconhecimento da minha parte da culpa. Se na tentativa de me preservar te feri na época peço desculpas, não era a intenção, eu só te desejava coisas boas, mas eu também erro. Espero que esteja bem e ,diferente de mim, não fique remoendo esse episódio infeliz. É isso, só precisava dizer.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
domingo, 30 de junho de 2019
quarta-feira, 12 de junho de 2019
Leoninos
Numa manhã de terça-feira, antes no meio dia, sem planejar, um convite e um encontro. Não podíamos acreditar que era real. Eu, com um osso quebrado, sendo irresponsável pra não deixar a oportunidade passar. Fui preparada pro pior apesar de querer aquele homem há meses. Meu humor andava uma merda e eu sabia que o dele não estava dos melhores (meus padrões de homem: depressivos, ansiosos, tímidos e, as vezes, todos em um só). Tentar descrever que foi melhor do que eu podia imaginar é muito clichê, mas a pancada da minha queda afetou a extensão do meu vocabulário e a organização das palavras na minha cabeça. Queria devorá-lo inteiro e fiquei pensando naquele dia, achando que não ia ser tão fácil encontrar alguém que preenchesse meus buracos por um dia como ele preencheu, até que encontrei outro leonino, amigo daquele meu passado que me fez iniciar essa contagem e a contagem termina aqui, no vigésimo segundo. Já havia perdido o sentido, mas resolvi registrar dentro dela o último improvável. O vi tantas vezes e nunca imaginei lembrar dele com frio na barriga do tesão contido e a vontade de mais. Espero repetir os leoninos por tantas vezes forem necessárias para saciar todas as vontades. Espero repeti-los com toda a sinceridade usada até aqui para todos saírem inteiros. Ilesos. Corações ilesos e desejos liquidados, dilacerados em pedaços bons de pessoas inteiras.