domingo, 18 de janeiro de 2015

Não era a última carta. Eu menti

Tenho refletido desde o início do ano. Consigo ver e aceitar que não fui vítima o tempo todo. Isso não existe.
Por vezes não fui uma boa pessoa durante aquele ano. Minhas atitudes foram duras e minhas palavras foram mais ainda. Depois que o vi passei a temer que as coisas que fiz tenham deixado marcas e lembranças dolorosas, como as que fez em mim. Senti vontade de pedir desculpas. Engraçado,  porque há quase um ano, no fundo, eu esperava que você o fizesse. Hoje não faço questão. Já não me dói mais. É um alívio poder dizer isso.
Hoje vejo que você tinha razão em muitas coisas que não aceitei na época. Isso me fez muito mal, também.
Você não é uma pessoa má. Eu não sou uma pessoa má, mas você despertou o melhor e o pior em mim.  O melhor eu já conhecia, o pior não.  O pior me entoxicou.  Nos entoxicou. Mas, achei que só eu precisasse de reabilitação. Nunca pensei se você tinha essa necessidade,  porque você optou por ter alguém e geralmente assim fica mais leve.  Eu fiz isso sozinha e foi muito mais difícil, mas consegui e vai ser pra sempre.
Eu não sei se tudo que fiz ainda te faz mal e nunca vou saber. Espero que não faça. Acredito que não seremos amigos como você queria no fim. Prometi que seríamos com o tempo, eu estava errada. Você disse que não era uma despedida pra sempre,  você também estava errado.
Se, um dia, eu tiver a oportunidade de pedir desculpa o farei. Se não,  acho que consigo viver com isso. Espero que também consiga.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Resoluções

O ano acabando e o universo conspirando para que eu acabasse com todas as pendências que, até então,  não tinha tido coragem de resolver. Eu cresci, deixei muita coisa pra trás. Me permiti sentir orgulho de mim. Apesar de ter superado muitas coisas, ainda me faltavam o nó e o laço,  minhas partes mais doloridas.

Conversei com o nó sem mágoa,  sem dor. Nenhuma conversa resolutiva, tudo que queria dizer já havia dito aqui "nas cartas não enviadas" isso me bastou e tenho quase certeza de que ele lê tudo como forma de martírio. Ele não precisa se sentir pior e eu já não me importo mais. Nos libertamos. Já estou com minhas coisas e ele com as dele. Confesso que quando o vi, apesar de mais velho e mais gordo,  reconheci o garoto por quem fui encantada. Aquele sorriso que me tirava o fôlego ainda existe, mas passou.  Não nos falamos mais e fiquei bem comigo. Sem sufoco, sem posse e sem medo de querer voltar.

Meu laço se desfez,  me deixou triste por uns dias. Por mais que laços não apertem, esse me prendia sem saber e, apesar de já ter perdido as esperanças, eu precisava de uma resposta na cara, dessas que tiram o chão sob os pés. E ele me deu. Sem noção,  sem tato, me enfiou goela abaixo tudo que eu já sabia antes de sair da boca dele. Eu falei tudo que guardei e me entoxicou por meses, mas não obtive resposta. Ele me disse que precisamos conversar,  na verdade o álcool disse, ele não tem coragem e eu não espero mais.

Coloquei pra fora outras coisas que faziam mal em relação a outras pessoas.  Entrei no mar depois de 14 anos. Me permiti fazer coisas que há tempos não fazia e me sinto como há anos não sentia. Me parece uma boa resolução de fim de ano e um bom início para um novo.

sábado, 8 de novembro de 2014

Gratidão

Nó,

Hoje descobri que você é a pessoa que sempre me descrevia quando fazia merda e pedia colo chorando. Somada a parte que eu captei com a nossa convivência, como o seu enorme egoísmo e a falta de princípios básicos que eu tentei te passar dia a dia, mas não deu... Enfim, me faço alguns questionamentos. Como não me permiti ver tudo isso e jogar a toalha antes? Que sentimentos são esses que escondem atos tão falhos e nos fazem esquecer de nossas convicções mesmo que por pouco tempo? 

As suas convicções ou a falta delas, seus poucos "amigos" e o meio em que vive são um espelho de tudo que eu desprezo. Isso explica muita coisa. Explica a minha indignação ao ouvir a verborragia preconceituosa da sua família. Explica a minha falta de paciência para festas e reuniões com seus amigos fúteis e vazios de empatia como você. Explica nossa visão política contrária. Explica tudo que me tornou a pessoa depressiva e insegura que estava com você, mas não era a que conheceu. 

Espero que tenha coragem pra mudar como eu tive. Pra começar a gostar de você mesmo, primeiro você tem que assumir quem é, inclusive seus erros pra tentar corrigi-los, já que te incomodam toda a vida.Quem sabe um dia você assuma também que não gosta de ser sozinho e atraia mais pessoas como meus amigos, que você gostava tanto e menos como os seus, que você tanto criticava. 

O universo nos afastou antes que enlouquecessemos. Hoje sou muito grata por isso.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

[pe]Última carta

Nó,

Eu não te odeio mais, mas sonhei que a gente tinha voltado e passei mal como quando terminamos. Fui parar no hospital. Desde então uma série de coisas estão acontecendo pra que eu lembre de você todos os dias. Justo você que me fez tão mal e eu custei a esquecer.
Nos últimos dias você esteve em todas as refeições. Senti falta da sua comida, da comida da sua mãe, do seu pai e até a da sua vó. Estava carente e lembrei de todas as vezes que não quis dormir no seu peito porque havia dias que eu não suportava você por perto. Confesso, me senti um pouco boba. Lembrei dos mistos quentes com mostarda nas manhãs seguintes a dias ruins causados por nossas brigas e de como isso melhorava o meu dia, talvez você nem saiba disso. Lembrei das brincadeiras idiotas, das fotografias, das guerras de travesseiro e de como eu adorava o som da sua risada. Das suas pequenas declarações piegas em redes sociais ou por sms. Senti falta dos carinhos de barba, dos carinhos nas costas (que descobri posteriormente que não é exclusividade sua), da podolatria (sim, é exclusividade sua até agora), das suas manhas e de tudo que eu conseguia suportar em você. Estranhamente não lembrei das coisas ruins . Por esses dias até pareceu que tudo foi perfeito. Reli meus textos pra lembrar do porquê não servimos um pro outro. Lembrei bem.
Fui tomar um banho e só achei uma toalha que sua mãe me deu, fui colocar uma camiseta pra dormir e só achei as suas, uma meia e só aquelas de lã que sua vó trouxe de uma excursão...todos os presentes e lembranças se atirando no meu caminho. Deu até saudade de jogar video game, ver aquele seu brinquedo dos slides que eu nunca tive paciência e tomar a melhor caipirinha de maracujá: a sua. Me disseram que é um tal de ciclo de escorpião que tá rolando, que atrai pensamentos sobre o que já passou, sei lá, não entendo muito de astrologia...Aí você é de escorpião, eu também. Ambos estamos em pleno inferno astral. Deve ser isso, tudo intensificado...espero que seja. Tomara.
Tenho que pegar logo minhas coisas e devolver as suas pra nos libertarmos e livres seguirmos em frente sem nem olhar pra trás. Não fazemos bem um pro outro. Quero o adeus que até hoje não tivemos.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Li nossas mensagens antigas, me bateu muita saudade. Saudade de como tudo era novo pra você, do seu cuidado e de como tudo isso me fazia bem na pior época da minha vida.  Quando eu me sentia profundamente triste, tinha você me descobrindo e sempre disposto a me ajudar. Saudade também do toque, pele, beijos, abraços, seu ronronar ao pé do ouvindo falando do meu cheiro...toda intensidade que durou tão pouco tempo.

Com você não tinha posse, não tinha doença, acho que é isso que é gostar de alguém de verdade. E eu gosto muito de você. Todo mundo sabe disso.

Ontem fez um ano desde o nosso primeiro beijo, faz uma semana que não te vejo e não tem mais previsão de ambos acontecerem. Eu fico aqui pensando que eu esqueceria de todas as chateações se você viesse esclarecer toda essa confusão que foi feita aqui. Acho que nem você mesmo sabe.

Eu não quero que você seja meu, eu só quero você comigo como nunca quis alguém. Quero nosso laço bonito de novo.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Extinto laço,

Se nesse último mês fosse dado a mim a tarefa de dar um novo nome a decepção com certeza lhe daria o seu. Nunca imaginei que você pudesse me doer tanto assim. Tão agudo.
O que me machuca é ver que não restou nada do laço bonito,  nem mesmo o cuidado. Foi embora sem me libertar. Eu tô aqui esperando sem saber o que aconteceu.  Não vai ter desculpa?  Não vai ter explicação?
Sinto sua falta, mas tô longe porque sua presença confusa tem me feito tão mal.
Se um dia você quiser me explicar o que aconteceu talvez eu ainda esteja aqui e talvez ainda esteja com saudade, mas eu não vou mais atrás de você.  Nunca mais.
Maldito nó,

Esse frio tem me trazido muitas lembranças. As músicas da nossa lista, o seu cheiro tão comum que passa por mim frequentemente, mas não vem de você. A angustia diária que era esperar pelo que você ia esquecer, todas as doenças geradas pela minha ansiedade e possessividade... tudo de volta com o frio como do último ano, quando nos separamos. Nesse inverno tudo é um misto de nostalgia e angustia.

Fazia tempo que não lembrava de você, não como o cara que me fodeu e foi embora, mas como uma pessoa. Fiquei sabendo que está fazendo coisas que nunca imaginei que faria. No início entristeci, pois quando estava comigo parecia tão depende...mas logo passou. Talvez tenha mudado porque deixei um pouco de mim em você. Um pouco da minha independência e da cobrança pela sua, da minha inquietação e determinação. Enfim está saindo da sua zona de conforto.

Espero pensar cada vez menos no que tivemos. Espero que as decisões que tem tomado te tornem uma pessoa melhor e feliz e, de preferência, muito longe de mim.

domingo, 29 de junho de 2014

Querido laço,

Vieram me dizer que anda preocupado comigo e que gosta muito de mim, talvez tanto gosto de você, mas como sempre você não me diz nada. Você me vê e me abraça,  tenta me olhar nos olhos, mas não deixo porque você sabe o quanto eles são transparentes e não quero ser traída por mim mesma mais uma vez. Não quero. Não quero te pedir pra ficar por perto, você foge. Agora quando vem é porque quer e de certa forma isso traz algum conforto pro coração que você deixou aqui inquieto. O que talvez você não saiba é que algumas coisas mudaram no último mês.
Encontrei alguém que gosta tanto do meu olhar quanto você gostava, talvez goste até mais. Ele ganhou espaço e tenho pensado muito menos em como seria se você tivesse coragem. E, diferente de você, ele me diz o que sente, é mais transparente e menos indeciso. Eu aceito todos os beijos, abraços e toques que são dele e não seus. Aceito como há meses não fazia.
Mesmo assim ando angustiada e pensativa. Acho que porque mesmo dividida e recebendo a atenção que almejava, ainda me sinto sozinha e com a antiga sensação do nó apertado me doendo. O inverno trouxe de volta todos aqueles sentimentos que eu amo e odeio sentir. Mas dessa vez eu não conto com seu colo e com a sua ajuda. Eu vou me virar sozinha porque eu sei que por mais que você diga que sou bem vinda, não posso contar com você sem que sinta vontade de fugir de nós de novo e de novo.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Querido laço,
Faz menos de um ano que você chegou, mas apesar do pouco tempo da sua presença ausente, parece que me fechou e jogou a chave fora. Nunca me senti tão incapaz de gostar de outras pessoas como agora.
Já experimentei vários outros corpos, mas nenhum me fez sentir como você fez. Nenhum sorriso ou olhar, nenhum beijo, abraço ou toque...nada.
Me aconselharam a abrir mão de você, já que desisti de insistir pra ter você por perto, mas mesmo sem te ver não consigo. Eu estou sempre voltando pra gaiola. Quando é que você vai me libertar?

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Ando tão cansada. Cansaço emocional que me faz, mais uma vez, abrir mão do que tanto quero. Nunca tive forças para lutar por amores exigentes. Doendo ou não, sempre os abandono pelo caminho e aceito os que lutem por mim. E mesmo com a ausência doendo aguda, meu ego consideravelmente grande e burro me afasta de uma conversa que coloque um ponto final em tudo isso. "Já fiz demais..." é sempre esse o pensamento que me vem à cabeça. Ai fica tudo assim, no ar, até que novos ventos levem tudo pra longe.

Querido laço,
Fiquei sabendo que quando te perguntam se estamos juntos, você não diz que sim e nem que não. Não entendo, quando está por perto não sai do lado, mas não me deixa te roubar os beijos de que eu sinto tanta falta. Acho que o que você não entende é que eu te queria leve como antes, sem compromisso e sem cobrança, só a parte quente e acolhedora que tenho certeza que não fazia bem só pra mim. Talvez quando entender seja tarde, mas pode ser também que você nunca entenda e eu não estou mais disposta a esperar que suas incertezas sejam resolvidas como um milagre porque, mais uma vez, não dá pra espera-los, não hoje, não pra mim, nem por mim e muito menos de você.